BPM (Business Process Management): padronização de processos para acelerar a produtividade



Depois de botar a mão no bolso para investir em sistemas de ERP (Enterprise Resource Planing), CRM (Customer Relationship Management) e BI (Business Intelligence), as grandes corporações começam a lidar com uma nova sigla: BPM, a tecnologia de Business Process Management. A meta desses sistemas é padronizar processos corporativos e ganhar pontos em produtividade e eficiência.


No mercado, as soluções de BPM são vistas como aplicações cujo principal propósito é medir, analisar e otimizar a gestão do negócio e os processos de análise financeira das empresas. Segundo Bruno Rossi, analista da IDCInternational Data Corporation, a onda do BPM está em fase de introdução no Brasil, mas as projeções são positivas para 2005. "Grandes corporações, telcos e bancos são os principais clientes", diz.


Para o executivo, também não haverá conflitos na oferta de soluções de BPM e ferramentas de BI-Business Intelligence. "São produtos distintos. O BPM destina-se ao ajuste da operação e das decisões táticas na empresa. Com ele, faz-se o alinhamento das estratégias, baseado na comparação com indicadores previamente ligados aos objetivos corporativos", explica. Já as ferramentas tradicionais de BI destinam-se principalmente ao acompanhamento do passado. Oferecem informações que serão centralizadas nos sistemas de BPM, como a gestão de performance.


Para Érika Alfaro, gerente de pesquisa do México, e Kristin Crispin, analista de pesquisa do Brasil, ambas da consultoria Frost&Sullivan, as soluções de BPM podem fornecer infra-estrutura para analisar e implementar os processos de negócios, de olho na redução do TCO (total cost of ownership) e na reorganização da companhia, para otimizar desempenhos.


VANTAGENS COMPETITIVAS – "O BPM também é uma forma de a empresa adquirir vantagens competitivas, ao repassar a redução dos custos para os clientes", detalha Érika. Os setores mais interessados nessas soluções são os que dependem de uma área tecnológica eficiente e que acumulam uma maior quantidade de dados de alto valor para o seu negócio, como a indústria de manufatura, de tecnologia e o segmento financeiro. Sobre a dicotomia com os sistemas de BI, Kristin explica que as soluções de BPM englobam um BI mais avançado e integrado, com metodologias e ferramentas como o BSC (Balanced Scorecard). "Ou seja, o BPM está um passo adiante em termos de resultados e complexidade para as empresas que querem ter uma área de TI mais forte dentro da organização", compara.


De acordo com os especialistas, para usar o BPM efetivamente, as organizações devem parar de focar exclusivamente nos dados e no gerenciamento de informações. A dica é adotar um processo orientado de aproximação que não faz diferenças entre o trabalho feito por um funcionário e as atividades realizadas pelo computador.


"Agora é que as empresas estão com menos receio desses sistemas. Há pouca informação sobre os benefícios da tecnologia e sobre o real impacto na produtividade e competitividade das companhias", analisa Érika. "As corporações deverão ter experimentado serviços de outsourcing de TI para se adaptarem melhor ao BPM", aconselha.


NOVAS SOLUÇÕES – Enquanto o mercado se acostuma à nova era das ferramentas de análise, os fornecedores de soluções apresentam mais novidades em BPM. A Oracle, por exemplo, oferece o Service Fullfilment Manager (SFM), que pode fazer todo o controle dos processos de aprovisionamento de serviços das operadoras telefônicas, por exemplo. A solução automatiza o recebimento de uma ordem de serviço e encaminha suas respectivas rotinas, direcionadas por workflow. "O objetivo é eliminar ao máximo o esforço manual, sem comprometer o tratamento das ordens de serviços", explica João Bosco, diretor de telecom e utilities da Oracle, que atende a empresas como a Telemar, Brasil Telecom e Embratel.


Já a Officeware Consultoria, que implementa soluções de BPM, quer ganhar mercado com o software Tibco Staffware Process Suíte. O sistema permite o desenvolvimento e execução de aplicações que acompanham os fluxos críticos de informação. Entre os clientes da empresa, estão o Citibank, a Telefônica e a Redecard. O Tibco Staffware está no mercado desde 1990 e é representado no Brasil pela Officeware há 13 anos. "A solução é basicamente um motor robusto de workflow com arquitetura aberta, que permite integrações com sistemas externos e legados, com facilidade de customização", garante Alexandre Melo, diretor da consultoria.


A solução é vendida em módulos, com um preço fixo no servidor e preço variável de acordo com o número de usuários, a partir de US$ 50 mil. Segundo Melo, os resultados imediatos para os clientes estão relacionados à redução do tempo de execução dos processos, à garantia de que todas as atividades serão devidamente executadas, à eliminação de erros e fraudes, além da diminuição dos custos de operação.


A Telefônica, segundo o executivo, escolheu o Tibco Staffware no ano passado para agilizar processos de retirada e comercialização de produtos, como parte de um projeto maior, de aumento de satisfação dos clientes. Parte do trabalho está em produção e deve ser concluída em abril. "Nesta data, cerca de 800 usuários utilizarão os recursos do Tibco, integrado com sistemas legados", adianta Melo.


MAIS PERFORMANCE – No mesmo caminho, a californiana Hyperion prefere chamar BPM de Business Performance Management. "A empresa entende o BPM como uma categoria de software que ajuda as organizações a traduzir suas estratégias em planos executáveis, monitorar a execução e melhorar o desempenho financeiro e operacional", explica Antônio Paulo Rihl, diretor da Hyperion, que possui projetos de BPM na Vivo e na Petrobras.


Para Rihl, essas soluções agregam às funcionalidades do BI regras de negócios e ciclos de gerenciamento para todas as áreas das empresas. "A suite da Hyperion inclui sistemas para todo o ciclo de planejamento, seja financeiro, operacional ou estratégico, incluindo orçamentos, scorecards, controle de fluxo de caixa, fusões e aquisições", enumera. A solução da Hyperion promete atender ainda às necessidades de análise e consolidação financeiras, que vão permitir às companhias mais confiança nos números apresentados em seus balanços, além de proporcionar uma maior transparência dos resultados. "Isso é fundamental para a credibilidade das empresas e à adequação às normas internacionais de compliance, como a lei Sarbanes-Oxley, que afeta diversas empresas brasileiras", avisa Rihl.


A ISolutions BR, empresa de desenvolvimento de software, quer combater a concorrência no setor com o Ultimus Workflow, versão 7.1, da Ultimus. "Ele modela e implanta processos de negócios, permitindo o acompanhamento de cada ação envolvida", afirma André Burani, supervisor de desenvolvimento da ISolutions. O sistema custa a partir de US$ 15 mil. "O retorno do investimento é rápido porque, em média, para cada dólar investido em BPM, US$ 3 costumam ser salvos pelo aumento da produtividade e eficiência", garante. Segundo Burani, sua empresa escolheu trabalhar com o Ultimus como ferramenta de BPM por conta do curto tempo de desenvolvimento. "Nos clientes, a própria equipe de analistas de processos, treinada no Ultimus, constrói seus processos e os publica como aplicações Web, sem depender do pessoal de TI. Isso agiliza o desenvolvimento e gera uma redução drástica de TCO", revela.


Na Image Technology, a atração da vez é o Ágiles, que custa a partir de R$ 100 mil. A nova versão, 2.0, é uma plataforma que automatiza processos e integra pessoas, documentos, dados e sistemas legados. amigável "Proporciona às organizações uma solução corporativa de automação do fluxo de trabalho, colaboração e gerenciamento eletrônico de documentos", garante Roberto Hart, presidente da Image. Desenvolvidos em Java/J2EE, os módulos do Ágiles são web-based. "Dessa forma, os usuários podem usufruir de um ambiente de trabalho pela Internet, intranet ou extranet", acrescenta o executivo. O sistema também pode ser contratado no modelo ASP, com um pagamento mensal pelo uso.


Segundo Hart, o Ágiles já foi implantado num processo que integrou as cerca de 90 concessionárias Mitsubishi no Brasil. "A solução propiciou uma redução de 1/3 do tempo gasto em diversos procedimentos na área comercial da companhia", garante. Em 2005, a meta da Image é conquistar 20 novos clientes no País, seis contas no exterior e ainda abrir uma subsidiária na Europa.


FOCO NAS PESSOAS – Também na busca de novas contas, a IDS Scheer apresenta uma solução baseada em cinco pilares: estratégia, arquitetura, implementação e monitoramento de processos de negócio, além da gestão da mudança necessária nessas ações. "Quando falamos de BPM, não podemos esquecer que a peça fundamental nas engrenagens são as pessoas, e nossa missão é auxiliar as empresas e suas equipes na adequação ao novo perfil de gestão", assegura Luís Fernando Faria, gerente de consultoria da IDS.


Na Business Objects, a estrela do BPM é a plataforma BusinessObjects XI, lançada em janeiro. "A nova solução permite o acesso simplificado a consultas, análises e relatórios corporativos porque integra bases de dados diferentes – de ERP, CRM e call centers – mas unifica as informações numa interface de fácil utilização", promete Fernando Corbi, diretorgeral da Business Objects no Brasil.


A empresa inicia no mercado nacional um trabalho na base de clientes e prospects para demonstrar os novos recursos do sistema. Na sua cartela, estão nomes como a Oi, Brasil Telecom e a Telemig Celular. "Imagine um presidente de uma empresa cuja intranet traz uma área onde conta com uma visão corporativa de toda a companhia e indicadores que sinalizam o desempenho dos departamentos. Clicando nesses indicadores é possível acompanhar o que anda, o que está parado e ainda saber o motivo", explica Corbi.


Outro exemplo visível de utilização da ferramenta é uma reunião de diretoria e acionistas. "Aqui, os executivos gastam horas discutindo quais os números que estão realmente corretos, porque cada um tem um relatório criado com dados diferentes. Com o projeto afinado de gerenciamento de performance, a cúpula da empresa pode prestar contas aos investidores com muito mais segurança", afirma o diretor.



RNT - Revista de Negócios em Telecomunicações